sexta-feira, 29 de maio de 2009

Romper o tratado de paz?

Pelo menos 15 deputados jordanianos querem que o governo corte as relações diplomáticas com Israel, em protesto contra o debate acontecido no Knesset - parlamento israelense - a respeito de se considerar a Jordania como lar dos chamados palestinos.
"A votação da proposta pelo parlamento israelense prova que a mentalidade sionista dos políticos que governam Israel não crê na paz e não tem respeito pelos tratados de paz e resoluções da ONU," estabeleceu um comunicado do bloco nacional democrático, partido que apoia o governo jordaniano.
O grupo, que inclui 15 deputados, considera que a discussão da semana passada em Israel constitui uma violação ao tratado de paz assinado entre os dois países em 1994, acrescentando que a resposta da Jordania deveria ser mandar o embaixador de Israel de volta a seu país.
Sim, caro leitor, caso você ainda não saiba, há uma discussão tomando corpo não só em Israel mas entre muitos analistas que sustentam a posição de que uma vez que a população da Jordania é composta de uma minoria hashemita (inclusive a família real) e de uma maioria da mesma etnia dos chamados palestinos, o lar natural destes seria aquele país que deveria, assim, absorvê-los.
É a chamada "solução de dois estados nos dois lados do Rio Jordão", ou seja, Israel de um lado e Jordania de outro, como era, aliás, até a guerra de 1967, quando Israel conquistou a Cisjordania e o rei Hussein, pai do atual monarca da Jordania, alguns anos depois, declarou oficialmente que abria mão da área, deixando Israel com o problema de controlar e gerir a vida dos árabes do local, sem, no entanto, anexar de vez todo o pedaço conquistado.
É claro que a minoria dominante na Jordania não quer esse abacaxi, e isto vem de longa data, pois o famigerado "Setembro Negro" ainda está presente na memória de todos os chamados palestinos que foram massacrados pelo rei Hussein quando justamente tentavam se estabelecer politicamente ali.

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