quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Situação no mundo árabe piora e alarma

- por Thomas Friedman - Colunista do New York Times (obrigado J.P.Carneiro pela dica).
(publicado no JB - 06/08/2009)

Em 2002, o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) divulgou seu primeiro relatório de desenvolvimento humano árabe, que detalhou os déficits de liberdade, de poder dado às mulheres e de produção de conhecimento travando o mundo árabe.
O estudo se baseou em estatísticas moderadas: a Grécia traduziu cinco vezes mais livros por ano do inglês para o grego do que todo o mundo árabe traduziu do inglês para o árabe; o PIB da Espanha foi maior do que o de todos os 22 Estados árabes juntos; 65 milhões de adultos árabes eram analfabetos. Foi um cenário perturbador, detalhado corajosamente pelos acadêmicos árabes.
A boa notícia é que o PNUD e um novo grupo de académicos árabes divulgaram semana passada novo relatório. A má notícia: as coisas pioraram, e muitos governos árabes não querem ouvir falar nisso.
O novo relatório foi iniciado por um desejo de encontrar por que os obstáculos ao desenvolvimento humano no mundo árabe persistiram.
Os quase 100 autores árabes do estudo de 2009 concluíram que muitos cidadãos árabes atualmente carecem de "segurança humana-o tipo de base material e moral que assegura vidas, trabalho e qualidade de vida aceitável para a maioria". A sensação de segurança pessoal - econômica, política e social - "é pré-requisito para o desenvolvimento numano, e sua ausência generalizada nos países árabes travou o progresso".
Os autores citam uma variedade de fatores atrapalhando a segurança humana na região árabe hoje - começando com a degradação ambiental - a combinação tóxica do aumento da desertificação, falta de água e explosão populacional.
Em 1980, a região árabe tinha 150 milhões de pessoas. Em 2007, havia 317 milhões de pessoas, e em 2015 a população deve chegar a 395 milhões. Cerca de 60% dessa população está abaixo dos 25 anos, e vão precisar de 51 milhões de novos empregos em 2020.
Outra fonte persistente de insegurança humana árabe é o alto nível de desemprego. "Por quase duas décadas e meia depois de 1980, a região praticamente não viu qualquer crescimento econômico", revela o relatório. Apesar da presença de dinheiro do petróleo (ou talvez por causa dele), há uma distinta falta de investimento em pesquisa científica, desenvolvimento, indústrias e inovação. Em vez disso, contratos e empregos nos governos predominaram. O desemprego médio na região árabe em 2005 era de 14,4%, em relação a 6,3% para o resto do mundo.

COMENTO: claro que com os índices lá em baixo fica mais fácil demonizar o inimigo comum, o inimigo já apontado no Corão: os judeus e Israel. Fica muito mais fácil manipular e usar os grupos mais radicais (são todos radicais) para a tal jihad - guerra santa - contra o Ocidente.
Afinal de contas as elites de tais países não sofrem com pobreza,fome,miséria,ignorância ou a falta de um emprego...

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