quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma fábula e a Schadenfreude.

Uma interessante palavra alemã.
Si Frumkin
Não sou um grande admirador da tecnologia alemã. Creio que um Lexus ou um Cadillac são melhores do que um BMW ou um Mercedes.Mas reconheço que os alemães sabem lidar com as palavras. Criaram palavras que simplesmente não existem em outras línguas.
SCHADENFREUDE é uma palavra destas. No caso de você não saber o que significa, em português significaria algo como “satisfação íntima com a desgraça alheia”.
Bem, tudo isso é para dizer a você que recentemente eu tive a tal Schadenfreude.Um amigo meu voltou há pouco de uma viagem à Rússia. Relatou que havia visto flores muito bonitas e caras numa loja em Moscou, embora não fosse a estação delas, e perguntou se tais flores vinham da Holanda. A resposta foi que “a maioria de nossas flores veem da Holanda, mas os holandeses as compram de Israel e as revendem por toda a Europa”. Temos sorte de obtê-las, pois são lindas”, respondeu o vendedor.
Um outro amigo passou uma semana no campo, na França, onde provou uma deliciosa fruta, um híbrido de pêssego e ameixa. Perguntou o que era e a resposta foi que eram importadas de Israel, o único lugar onde eram cultivadas.
Estou certo de que muitas flores, frutas e vegetais que se espalham pela Europa chegam das mais de 3000 estufas existentes em Gaza. Foram todas construídas em solo deserto pelos judeus que, até há alguns anos atrás, empregavam ali mais de 1200 palestinos.
Desde o começo da última Intifada e de muitos ataques terroristas efetuados pelos próprios trabalhadores o número de empregados que trabalham nas estufas foi drasticamente reduzido, tendo sido substituído por tailandeses, africanos e filipinos.
Durante os meses de preparação para a retirada israelense de Gaza muitas perguntas foram feitas sobre o destino das estufas. Eram jóias da agricultura e da tecnologia com temperatura e humidade controladas, custaram milhões de dólares para serem construídas e rendiam milhões de dólares por ano, além de empregarem milhares de pessoas em áreas onde o desemprego rondava a casa dos 40%.
Essas maravilhosas estruturas deveriam ser destruídas? Simplesmente mudadas? Abandonadas? E aí uma solução foi encontrada.
Um pequeno grupo de judeus norteamericanos muito ricos decidiu que as estufas seriam compradas de Israel e doadas à Autoridade Palestina. Um dos doadores foi o ex-presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn que gastou $500.000 de seu próprio dinheiro na empreitada.
Conseguiram $14 milhões de dólares, o negócio foi feito e autoridades palestinas anunciaram que as estufas seriam o início da futura economia palestina.
Então, onde está a alegria maliciosa, a Schadenfreude, que você anunciou? Um final feliz para todos, certo?
Os palestinos conseguiram as estufas, os israelenses levaram $14 milhões de dólares e um admirável grupo de judeus americanos ficaram com uma enorme satisfação de ter feito um mundo mais tolerante e mais cheio de amor, onde árabes poderiam apreciar a bondade judaica e com menos vontade de assassinar judeus, certo?
A raposa recusou-se levar o escorpião através do rio: “você é um escorpião e pode me picar”, disse na conhecida fábula.
O escorpião retrucou “não seja ridículo. Porque eu picaria você? Nós dois nos afogaríamos”.
Após convencer a raposa lá se foram ambos atravessar o rio e na metade do trajeto o escorpião picou o seu benfeitor que disse “porquê, porquê você fez isso? Agora nós dois morreremos...”
“Eu sei, minha amiga, mas aqui é o Oriente Médio, é da minha natureza”, disse o escorpião antes de morrer.
Mais ou menos uma hora após a saída dos israelenses de Gaza milhares de palestinos invadiram os assentamentos vazios. A polícia ficou apenas observando a multidão demolir e incendiar as sinagogas. Ficaram olhando com interesse quando parte da multidão foi até as estufas, quebrou janelas, computadores e componentes eletrônicos,encanamentos e relógios especiais.
Não demorou muito e as estufas que haviam sido pacientemente construídas viraram lixo e destroços.
E aí tive a Schadenfreude. Os palestinos não vão exportar flores para a Holanda ou frutas para a França. As estufas não serão reconstruídas. A economia, tal qual é, continuará a ser infestada pela corrupção, ódio e violência. Eles sofrerão, mais Schadenfreude, mas ainda assim não admitirão que é tudo por culpa sua.
Senti a Schadenfreude em relação aos ingênuos judeus ricos que pensaram que a reação árabe ao presente que lhes havia sido dado seria encarada com lógica e não ódio.
Vocês, seus ridículos ricaços, não aprenderam ainda que isto é o Oriente Médio onde escorpiões picam mesmo que isto signifique sua própria destruição? Vocês perderam $14 milhões de dólares, e querem saber de uma coisa? Eu estou feliz por isto.
Só espero que Israel tenha descontado o cheque antes que fosse tarde.

Si Frumkin nasceu na Lituânia, foi o único de sua família que sobreviveu ao campo de concentração nazista, e agora reside na Califórnia. Contribui para o Jewish Observer de Los Angeles onde apareceu este artigo que foi livremente traduzido por mim (obrigado pela dica J.P.Carneiro).


3 comentários:

Cachorro Louco disse...

David : A verdade quase sempre é uma coisa dolorida .Não adianta dar pérolas aos porcos mesmo!
Abraços

Anônimo disse...

David,os muçulmanos de Gaza poderiam lucrar com a utilização das estufas,mas,não,preferiram destruir tudo .Triunfo da irracionalidade islâmica,algo que nos lembra outra ideologia,a nazista.

risnik disse...

David,meu nome é Alexandre Calina e li recentemente um texto,acho que foi no alef,sobre a divisão Handzar,formada pelo então mufti durante a Segunda Guerra Mundial.Este texto dizia que esta divisão assassinou doze mil judeus no território da antiga Iugoslávia durante a SGM.Estou procurando este texto na internet,mas não estou achando,pois gostaria de imprimi-lo.Você sabe onde posso achá-lo ou encontrar mais informações sobre os crimes cometidos pela divisão handzar contra judeus?