quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O LÍBANO DEVE PERTENCER DE NOVO À SÍRIA.

O editor do jornal saudita Al-Riyadh, Turki Al-Sudairi, lançou a provocativa pergunta: "Porque o Líbano não pode voltar a ser da Síria"? O artigo foi publicado uma semana após o encontro de cúpula entre a Arábia Saudita e a Síria que teve lugar em Damasco.
"Sei que não é uma questão simples. Sei que a dificuldade, no que diz respeito ao Líbano, está em propor uma ideia relacionada com o fato de que os países do Golfo devam estar unidos num só porque há muitos pontos de convergência entre eles, ou sugerindo que o Sudão deve se tornar novamente uma extensão do Egito e voltar a esta realidade política e econômica (antes de se tornar um Estado separado).
"No entanto, o Líbano é diferente (dos outros países árabes) em um aspecto importante. O problema é que ali é difícil estabelecer um governo capaz de dirigir todas as pessoas que estão nas suas fronteiras, em razão das diferenças de seus grupos, já que uma diversidade muito grande de interesses e atitudes que persistiram pelos anos.
"Quando olhamos a história do Líbano dos últimos 40 anos vemos que a paz não foi nada mais do que uma trégua temporária, seguida de outra guerra civil, como se esta fosse um ato legítimo".
"Nós, então, dizemos, "porque, o Líbano não deve retornar à Síria?, porque a Síria tem um regime forte, capaz de dissolver a pluralidade de governos dentro do Líbano. Na verdade, a Síria não seria a grande beneficiária desta solução difícil. Ao revés, seria o Líbano,o grande beneficiário e muitos investidores árabes e turistas"...
"Foi o acordo Sykes-Picot que separou o Líbano da Síria, então porque não devolver o território, baseado na sua identidade árabe"?

Veja, caro leitor, o que se está pretendendo. E não é de hoje. O apoio que o governo de Damasco dá ao Hezbollah visa justamente isso. O sonho dos sírios é justamente pegar o Líbano e contruir o que se chama de grande Síria. Se, de fato, o Líbano foi mais uma construção das potências européias do fim do século 19 e início do século 20, na época levou-se em conta a população cristã libanesa, hoje já minoria e perseguida (e que será massacrada em breve, anote aí).
Uma síria maior, com o território que hoje é o Líbano desestabilizaria toda a região e obviamente colocaria Israel em pé de guerra com consequências imprevisíveis.
De toda maneira, é curioso que um jornal saudita apoie a ideia, especialmente quando sabemos que a imprensa de lá não é o que podemos chamar de livre (se é que existe tal coisa, "imprensa livre").



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