sábado, 28 de novembro de 2009

Brasil na contramão, uma vez mais.

Ontem a Agência Internacional de Energia Atômica resolveu que o Irã não está agindo corretamente na questão do seu programa nuclear, mas o Brasil de Lula e o Itamaraty abstiveram-se de votar, o que equivaleu praticamente a apoiar o país do amigo do peito, Ahmadinejad.
Até a Rússia e a China, parceiros de longa data do Irã votaram contra o Irã.
Muita gente não entende a razão. Vou tentar dar meu palpitezinho, o que nem é tão difícil assim.
Parece que nossos diplomatas não entendem, ou entendem até demais, já que está formado o eixo Teerã-Caracas-Brasília. Já há, inclusive, notícias de uma linha aérea direta Caracas-Teerã que será operada pela Mahan Air, operada desde Teerã, e provavelmente outro voo do Brasil para lá também.

A questão toda é Israel e um provável ataque preventivo às instalações dos mulás, assunto vital para a sua sobrevivência. Se acontecer o tão esperado ataque a China terá o seu suprimento de petróleo muito prejudicado ou cortado por um bom tempo e sua economia sofrerá tremendamente com reflexos no mundo todo.
Com a Rússia não acontecerá o mesmo, já que é exportador do ouro negro. Mas a Rússia está descontente com a atitude do parceiro que ameaça levá-la aos tribunais, como noticiou a imprensa internacional pelo descumprimento de contratos que previam a entrega de mísseis de longo alcance, necessários para a defesa de suas instalações nucleares.
Outro fator é que o Irã, no caso de um ataque israelense, poderá minar o Golfo Pérsico, prejudicando a navegação em todo o golfo, trazendo o caos ao mundo, com um reflexo para a economia mundial, com uma crise sem precedentes, daí a importância de se conter, pela diplomacia, o programa nuclear dos aiatolás, o que parece impossível.
Do outro lado, no entanto, está em jogo a sobrevivência de um país inteiro, no caso Israel com sete milhões e meio de habitantes, ameaçado há muito tempo pelas palavras belicosas de toda a elite governante iraniana, que já chegou a dizer que não importa uma reação até mesmo nuclear israelense que leve à morte milhões de iranianos, pois no final o Islã triunfaria, mas os judeus desapareceriam da face da Terra, e isto seria mais importante.
É com gente que assim pensa e diz que se está lidando. É com a irracionalidade que se está tentando dialogar. É difícil, portanto.
E é com este tipo de líderes que o Brasil de Lula contemporiza, faz acordos, e apoia.
A abstenção de ontem nos envergonha a todos, uma vez mais.

6 comentários:

risnik disse...

David,meu nome é Alexandre,leciono História e quero parabenizá-lo pelo seu blog.Seria interessante que mais pessoas lessem o seu blog.Eu mesmo achava que os aitolás do Irã não teriam coragem para lançar bombas atômicas sobre O Estado de Israel,mas após ler o seu texto mudei de idéia.Vamos ter que dar um jeito de atacar o Irã,agora penso,e cuidar de nossa segurança no Brasil,que agora está ao alcance do Hezbolah.

Anônimo disse...

Caro David. Discordo de você. O Brasil de Lula não teve coragem de votar sim nem não; ficou no muro, que é uma situação estrutural da história da diplomacia brasileira a partir da instauração da ONU. Teria sido melhor que o embaixador tivesse votado pelo (argh!!!) anti-Shoà.~Ficaria assim demonstrado que nós somos a Arábia Saudita das Américas.

Anônimo disse...

Se acontecer o tão esperado ataque a China terá o seu suprimento de petróleo muito prejudicado ou cortado por um bom tempo e sua economia sofrerá tremendamente com reflexos no mundo todo ...

... poderá minar o Golfo Pérsico, prejudicando a navegação em todo o golfo, trazendo o caos ao mundo, com um reflexo para a economia mundial, com uma crise sem precedentes, ...

David,
Caso esse cenário ocorra, o mundo não ficará de braços cruzados assistindo as loucuras do Irã; será forçado a eliminar esse governo aiatolado.

BLOGUEIRO DO BEM disse...

ATENÇÃO BLOGUEIROS!

Por favor, repassem:

As Organizações Globo receberam "ordens" do Sr. Franklin "Goebbels" Martins, para não passarem nem de raspão pelo artigo do Sr. César Benjamin publicado na Folha em 27/11 e que ficou conhecido como o caso do "menino do MEP". Vamos pressionar os sites da Globo (G1) e de outros veículos de comunicação. Eles, os petralhas, estão com medo, com muito medo! A hora é agora, não deixem o assunto morrer, poderá haver desdobramentos mais escabrosos. Não desviem a atenção para o caso Arruda-DEM e nem para o caso Sato-Lurian, é tudo que eles querem. Lembrem-se do Collor, o impeachment só ocorreu por denúncias provenientes de sua própria "cozinha". Por favor, entre um post e outro, batam na mesma tecla. A denúncia é grave, tem que ser difundida para o exterior.

davidbor disse...

Não duvido, pois nem uma linha saiu no O Globo, e nem uma palavra no tal Jornal Nacional que, aliás, só traz bobagens. No telejornal da BAND, que eu acompanho diariamente também nada foi noticiado.
Só na internet a notícia está sendo destaque como se fosse algo fantasioso ou obra de blogueiros malucos. Vamos ver até quando os jornalões aguentam a farsa.
De qualquer maneira algo já foi confirmado quando o cineasta Tendler disse que estava na cela e que tudo não passou de uma brincadeira. Ora, se "tudo não passou de uma brincadeira", o diálogo, ao menos, aconteceu, o que já dá credibilidade ao Benjamin, ao menos em parte. Isso, aprendi nos tribunais, em varas criminais ao longo de anos e anos de trabalho...

Renato disse...

Caríssimo, parabéns pelo post. Irã não é Honduras que dá para brincar de barbeiragem diplomática. Estamos falando de um país que reprime liberdade religiosa, sexual, frauda eleições (mesmo controlando quem pode se candidatar!) e com um líder determinado a varrer do mapa as democracias. Como escreveu Guilherme Fiúza nesse artigo republicado no Millenium (http://www.imil.org.br/artigos/a-bomba-da-paz/): "A doutrina do esquerdismo radioativo (para fins pacíficos) há de trazer bons frutos para o Brasil. Daqui para frente, as confusões no Oriente Médio com a grife do maluco homofóbico têm a chancela do Itamaraty. É claro que, no primeiro míssil pirata que sair voando de lá, Amorim, Top Garcia e seus estrategistas vão querer dizer à ONU que não era bem isso o que o Brasil apoiava."