sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Somos filhos do Marquês

Na postagem de ontem sobre o livro do Lee Harris deixei para depois um aspecto importante abordado por ele. Agora retorno ao tema.
Se hoje temos direito à escola pública em todos os níveis, devemos isso ao Marquês de Condorcet, homem que viveu durante a Revolução Francesa e que enxergou longe.
Na sua obra ele lutou pela instituição do ensino público, laico, acessível para qualquer cidadão, pois até então quem educava eram as congregações religiosas, em especial os jesuítas contra quem ele se insurgiu especialmente. Quem queria se educar ou contratava um preceptor ou entrava para uma ordem religiosa. Não havia escolas públicas disponíveis e as universidades eram uma exceção, não estando ao alcance de qualquer um, além de serem vigiadas (basta lembrar casos como o de Galileu), ou mantidas pela Igreja, como ainda ocorre com as Pontifícias Universidades Católicas e outras onde o ensino de religião é obrigatório.
O que torna o homem racional, então, para se prosseguir com a obra de Lee Harris, é justamente a capacidade de julgar sem preconceitos religiosos ou culturais, ao contrário daqueles que são educados em madrassas (uso a palavra grafada assim, apesar de já tê-la visto como madraça ou madraçal), yeshivot (escolas de ensino religioso judaico) ou colégios religiosos católicos, que acabam fazendo parte das tribos, sujeitos à lei das selvas.
A função primordial do ensino , para o Marquês, pois, seria ensinar às pessoas a capacidade de raciocinar por si sem influências externas, sem preconceitos ou imposições intelectuais de qualquer espécie.
A nossa Constituição, ou como dizia um Juiz - hoje Desembargador - com quem trabalhei por muito tempo, a Carta Fundamental da República, estabelece que todos têm direito ao ensino e que todos são iguais perante a Lei, o que está longe de ter-se tornado realidade, mesmo porque se faltam vagas para todos, ainda por cima se discutem cotas para negros, para índios, nisseis,flamenguistas etc (posso reivindicar cotas para judeus? afinal sempre contribuímos muito para as ciências).
Num país em que o Presidente é semialfabetizado, faz disso vantagem e declara em entrevista que não lê nada porque a leitura lhe dá azia, o sonho de Condorcet de uma humanidade mais esclarecida, iluminada e racional está bem distante, ao menos no Brasil.
Mas é óbvio que a ignorância faz parte da estratégia dos que tomaram o poder, pois, ainda segundo Condorcet "sob a mais livre das constituições um povo ignorante é sempre escravo", e vemos bem isso no nosso dia a dia, com as bolsas família,bolsa educação vale transporte e outros penduricalhos. Agora mesmo o nosso Líder Sapientíssimo (ou grande sabichão como nas histórias em quadrinho) cortou verbas do meio ambiente para aumentar as bolsas.
Enfim, manobrar as massas, como se sabe, é o prato favorito dos populistas, e isso, voltando ao livro "The suicide of reason", faz parte do jogo dos atores tribais, já que tribo e massa são a mesma coisa, o sentimento do coletivo, do "todos por um e um por todos" comandando, sem que se precise ter o trabalho de pensar, de raciocinar, de chegar a uma conclusão por si só.


Patéticos os presidentes vizinhos no tal Forum Social ao declararem que o socialismo é o único caminho, que o capitalismo morreu. Acho que nenhum deles lê jornal, revista ou livro, talqualmente o Lula. Fiquei me perguntando se as camisinhas que o governo comprou para o evento, com o nosso dinheiro, foram distribuídas também para eles e quem estaria disposto a encarar a candidata oficial, mesmo depois da recauchutagem.

E vou indo pois estou acabando "O rei da noite", do fabuloso João Ubaldo Ribeiro, livro de crônicas, cuja maioria já havia lido no jornal, mas que releio com imenso prazer.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O suicídio da razão

Terminei a leitura de "The suicide of Reason", de Lee Harris.
Junto com as recentes leituras dos livros do John Gray (Heresies e Black Mass) este livro já está fazendo parte dos que me marcaram nos últimos tempos.
O autor é colaborador do site http://www.hoover.org e tem outro livro publicado (que já encomendei à Livraria Cultura).
Ele parte da divisão do mundo em atores racionais e atores tribais, sendo que os racionais seríamos nós, habitantes do Ocidente liberal, herdeiros do Racionalismo Iluminista, enquanto os outros, os atores tribais, seriam os fanáticos que querem manter suas tradições e costumes e impor seu modo de vida aos outros a qualquer preço, inclusive pela guerra, ou seja, os muçulmanos que seriam, em suma, guiados pela lei das selvas.
Harris sustenta que ser fanático não é depreciativo, não é, como costumeiramente fazemos, uma ofensa ou desdouro. Ao contrário, ser fanático, do ponto de vista deles, é ser avesso a qualquer mudança e o fanatismo fortalece a sociedade deles. A prova seria a completa transformação dos impérios e sociedades conquistadas pelo Islã ao longo dos séculos. Jamais o Islã se curvou ante a cultura dos que conquistou, jamais permitiu que os povos por ele conquistado mantivesse sua cultura, sua religião, seus hábitos, ao contrário, por exemplo, do Império Romano que consentia que as nações por ele subjugadas continuassem seu modus vivendi.
O livro de Harris é na verdade muito pessimista pois acha que estamos vivendo um momento especialmente delicado, com o nosso habitual carpe diem prestes a ser engolido pelos fanáticos do Islã, já que a tendência das pessoas e governos ocidentais é de tentar uma acomodação, uma espécie de acordo com os fanáticos que não se adaptam às sociedades que os recebem, e que,ao contrário, querem adaptar os outros aos seus padrões.
Isso, aliás, já pode ser visto nos países onde os muçulmanos se estabeleceram e procriaram (a bomba demográfica em pelo funcionamento), pois exigem a implementação da Sharia em certos casos, ao arrepio das leis locais. Já houve quem quisesse a poligamia (na Itália), os crimes de honra são frequentes na Inglaterra (e os autores não querem ser julgados pelas leis inglesas), motoristas de taxi em Cincinati, EUA, já se recusaram a levar passageiros que carregassem bebidas alcoólicas e por aí vai.
Harris, portanto, e com inteira razão, sustenta que o Ocidente liberal não pode aceitar as modificações que os muçulmanos estão tentando impor e que é hora de nós também começarmos a ser fanáticos para defender nossa liberdade.
Não se pode tolerar aqueles que se recusam a jogar com as regras da Razão, sob pena de se estar cometendo o suicídio da Razão, é a mensagem e o aviso do livro.
Acho que ele está certo, pois foi o que aconteceu em outros períodos da História, como, por exemplo, com os países europeus na época do nazismo. A Alemanha foi se rearmando, crescendo, tomando um pedaço ali, fazendo exigência e de repente a Europa estava sendo engolida pelas hostes hitleristas.
Quem conhece um pouquinho do que pretende o Islã sabe que Lee Harris está inteiramente correto, e nossa sociedade, baseada na Razão, em enorme perigo. Não se pode condescender com quem quer nos destruir.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Gaza é aqui mesmo.

Vi na tv mais um confronto da polícia com traficantes, desta vez do Morro da Mangueira.
Por enquanto, na hora em que escrevo, 3 ônibus incendiados e 2 mortos (dizem que eram
bandidos) é o resultado de mais uma rodada.
As imagens mostram bandidos mascarados a la mode palestina exibindo muitas armas, policiais se escondendo atrás de esquinas, civis (posso chamar de civis, não?) correndo desesperados pelas vielas e ruas da favela (não uso a palavra comunidade, não sou políticamente correto).
Afinal, onde estão as passeatas, demonstrações,faixas,cartazes,manifestos do PT ou de outro partido "progressista" contra o genocídio? (claro que estou sendo irônico aqui)
Engraçado como se falou tanto quando da incursão de Israel em Gaza, para caçar gente que usa crianças e mulheres como escudo e não aparece ninguém, nem uma ONG como remédio, para defender os que moram nas favelas e são igualmente usados como escudos pelos traficantes.
O uso de camisetas como máscara foi obviamente emprestado dos terroristas do Al Fatah que há algumas décadas usavam o keeffieh para cobrir o rosto, lenço que agora virou moda até entre as patricinhas de nossas cidades que, aposto, não lhe sabem a origem. Estou cansado de ver
mulheres, no calor do Rio de Janeiro, usando o tal "lenço palestino" no pescoço...
Vai ver o terrorismo está mesmo na moda, especialmente depois que o governo acoitou um homicida terrorista italiano.
Ser liberal,democrata,brigar pelos direitos humanos e pela liberdade de expressão está aos
poucos saindo de cartaz aqui pela América do Sul.
Ah se eu ganhasse a Mega-Sena...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dubai e a Shariah

Uma mulher britânica foi condenada nesta quinta-feira a 3 meses de prisão e pagamento de multa de U$817 por adultério, em Dubai, EAU, segundo informou a CNN citando um jornal inglês.
A condenada receia perder a guarda de seus filhos, de 7 e 4 anos, para o marido, um egípcio.

Ainda se espantam com leis desse tipo serem aplicadas? Há coisas piores, como cortar uma mão,um braço,apedrejamento (lapidação para usar o termo correto) e, claro, pena de morte.
Isto é a sharia, lei islâmica baseada no Corão e em vigor em muitos países.
Muitos por aqui no Ocidente defendem esse tipo de legislação dizendo que deve haver tolerância religiosa e cultural, que são costumes lá deles, esquecendo que lá não há tolerância com os praticantes de outras religiões que são chamados de dhimmis (inferiores) e que devem pagar um imposto para "serem protegidos". Vá alguém na Arábia Saudita, por exemplo, pregar o cristianismo para ver o que acontece...
O Corão rege a vida diária do muçulmano em seus mínimos detalhes, e aquilo que chamamos de costume é na verdade imposição religiosa, como na foto se vê de mulheres indo à praia, num sábado ensolarado, em Aqaba, Jordania, com o traje "completo", véu incluído!(tirada por mim com uma teleobjetiva de 300mm, pois fotografar pessoas também não é muito bem visto).
Em Alexandria, Egito, biquini ou maiô só em praias particulares de hotéis sob pena de prisão.
Em Dubai, lugar da notícia e destino da moda, não se vê quase mulher alguma na rua, a não ser as trabalhadoras estrangeiras.
Os cristãos coptas do Egito foram quase dizimados em que pese suas igrejas serem mostradas ao turista como exemplo de tolerância. Ora, quem por aqui mostra um templo budista ou uma sinagoga a um estrangeiro e fala em tolerância religiosa? Se tolerância houvesse não seria preciso falar nela...
Se algum dia o Hamas ou outro grupo da mesma orientação tomar conta dos lugares santos cristãos ou judaicos, fiquem certos de que a visitação ou peregrinação será muito difícil, já que a primeira coisa que fazem é transformar igrejas e sinagogas em museu ou mesmo mesquitas.
Em Gaza a shariah está sendo implantada e até festas de casamento tiveram música proibida, tal qual no Afeganistão dos talibans, sem que houvesse no Ocidente passeata,manifesto de partido político ou editorial em jornais. Todos fingem que não sabem de nada, em nome do politicamente correto ou de posturas equivocadamente alinhadas com o atraso, com o fascismo islâmico que aos poucos vai mostrando sua verdadeira face e que tem como aliado a esquerda ocidental órfã de Marx.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A volta de Mequinho...de novo


Começou a 71ª edição do torneio de xadrez Corus, na Holanda, com uma notícia boa para os enxadristas brasileiros, a volta de Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, que, em 1978, era oficialmente o 3° melhor jogador do mundo.
Após uma doença e um crescimento de sua fé religiosa Mecking já ensaiou algumas vezes uma volta aos tabuleiros, sem muito sucesso, pois os anos
cobram o seu tributo. No circuito profissional do xadrez um jogador com 25 anos já é considerado hoje um veteraníssimo, pois cada vez os mais jovens conquistam espaço, haja vista o prodígio Magnus Carlsen que não completou ainda 19 anos e já é dos 5 melhores do planeta.
Mecking está jogando, na verdade, o torneio B, e é o penúltimo do ranking inicial (que é estabelecido pela força matemática do jogador, no que se chama de rating FIDE), e já jogadas 3 rodadas só conseguiu um empate.
Mas é interessante ver que o maior jogador de xadrez do Brasil de todos os tempos está de volta, e se conseguir se recuperar no torneio poderá ser um atrativo a mais para que mais jovens se interessem pelo jogo.
Na série A as ausências do número 1 do mundo, o búlgaro Topalov, do campeão mundial, o indiano Anand e de Kramnik, que venceu há anos atrás o já lendário Kasparov, tiraram um pouco o brilho da competição, mas a presença de Carlsen,Aronian,Ivanchuk e Kamsky prometem dar alegrias aos fãs do jogo, dentre os quais me incluo.
O link para acompanhar o torneio é www.coruschess.com ou pelo site do Internet Chess Club www.chessclub.com.