Na postagem de ontem sobre o livro do Lee Harris deixei para depois um aspecto importante abordado por ele. Agora retorno ao tema.Se hoje temos direito à escola pública em todos os níveis, devemos isso ao Marquês de Condorcet, homem que viveu durante a Revolução Francesa e que enxergou longe.
Na sua obra ele lutou pela instituição do ensino público, laico, acessível para qualquer cidadão, pois até então quem educava eram as congregações religiosas, em especial os jesuítas contra quem ele se insurgiu especialmente. Quem queria se educar ou contratava um preceptor ou entrava para uma ordem religiosa. Não havia escolas públicas disponíveis e as universidades eram uma exceção, não estando ao alcance de qualquer um, além de serem vigiadas (basta lembrar casos como o de Galileu), ou mantidas pela Igreja, como ainda ocorre com as Pontifícias Universidades Católicas e outras onde o ensino de religião é obrigatório.
O que torna o homem racional, então, para se prosseguir com a obra de Lee Harris, é justamente a capacidade de julgar sem preconceitos religiosos ou culturais, ao contrário daqueles que são educados em madrassas (uso a palavra grafada assim, apesar de já tê-la visto como madraça ou madraçal), yeshivot (escolas de ensino religioso judaico) ou colégios religiosos católicos, que acabam fazendo parte das tribos, sujeitos à lei das selvas.
A função primordial do ensino , para o Marquês, pois, seria ensinar às pessoas a capacidade de raciocinar por si sem influências externas, sem preconceitos ou imposições intelectuais de qualquer espécie.
A nossa Constituição, ou como dizia um Juiz - hoje Desembargador - com quem trabalhei por muito tempo, a Carta Fundamental da República, estabelece que todos têm direito ao ensino e que todos são iguais perante a Lei, o que está longe de ter-se tornado realidade, mesmo porque se faltam vagas para todos, ainda por cima se discutem cotas para negros, para índios, nisseis,flamenguistas etc (posso reivindicar cotas para judeus? afinal sempre contribuímos muito para as ciências).
Num país em que o Presidente é semialfabetizado, faz disso vantagem e declara em entrevista que não lê nada porque a leitura lhe dá azia, o sonho de Condorcet de uma humanidade mais esclarecida, iluminada e racional está bem distante, ao menos no Brasil.
Mas é óbvio que a ignorância faz parte da estratégia dos que tomaram o poder, pois, ainda segundo Condorcet "sob a mais livre das constituições um povo ignorante é sempre escravo", e vemos bem isso no nosso dia a dia, com as bolsas família,bolsa educação vale transporte e outros penduricalhos. Agora mesmo o nosso Líder Sapientíssimo (ou grande sabichão como nas histórias em quadrinho) cortou verbas do meio ambiente para aumentar as bolsas.
Enfim, manobrar as massas, como se sabe, é o prato favorito dos populistas, e isso, voltando ao livro "The suicide of reason", faz parte do jogo dos atores tribais, já que tribo e massa são a mesma coisa, o sentimento do coletivo, do "todos por um e um por todos" comandando, sem que se precise ter o trabalho de pensar, de raciocinar, de chegar a uma conclusão por si só.
Patéticos os presidentes vizinhos no tal Forum Social ao declararem que o socialismo é o único caminho, que o capitalismo morreu. Acho que nenhum deles lê jornal, revista ou livro, talqualmente o Lula. Fiquei me perguntando se as camisinhas que o governo comprou para o evento, com o nosso dinheiro, foram distribuídas também para eles e quem estaria disposto a encarar a candidata oficial, mesmo depois da recauchutagem.
E vou indo pois estou acabando "O rei da noite", do fabuloso João Ubaldo Ribeiro, livro de crônicas, cuja maioria já havia lido no jornal, mas que releio com imenso prazer.







